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Embora inicialmente se afirmasse que dinheiro público não seria utilizado nos gastos com a Copa de 2014, começa a se delinear o gasto de bilhões de reais apenas com reformas para o Mineirão. Soluções criativas para não deixar clara a derrama de dinheiro público já estão sendo utilizadas, como fazer parecer que dinheiro privado está sendo utilizado, e apenas emprestado pelo BNDES. Como um banco voltado para o desenvolvimento vai desenvolver o estado ou a cidade de Belo Horizonte ao financiar reformas em um estádio de futebol? Não seria melhor financiar reformas para mil escolas em todo o estado, gastando o mesmo valor, ou até menos? Os mais de 20 milhões de habitantes de Minas Gerais se distribuem em 853 municípios. Isto dá emprego a 853 prefeitos, e o correspondente número de vereadores, assistentes, etc. Segundo estimativas recentes do IBGE para 2007, pouco menos de 30 municípios de Minas Gerais possuem mais de 100 mil habitantes. Muitos dos 2,5 milhões de habitantes de Belo Horizonte jamais se aventuraram pelo interior do estado. Terão compreensível dificuldade em imaginar que o prefeito de Belo Horizonte administra os serviços para uma população equivalente à soma dos habitantes dos 475 municípios menos populosos do estado. Haveria realmente a necessidade de uma estrutura municipal independente para vários municípios com menos de 2 mil habitantes? A mais recente "Síntese de Indicadores Sociais" indica uma "Taxa de analfabetismo funcional das pessoas de 15 anos ou mais de idade" superior a 20% em Minas Gerais. Bastante pior é o índice de "Crianças de 0 a 6 anos de idade, com rendimento familiar per capita até 1/2 SM", que é superior a 40% no estado. Talvez dando um visionário exemplo, a Colômbia, informe-se que também devido a tensões políticas, abandonou o projeto de realização da Copa do Mundo de 1986. Com cerca de 4.5% do seu produto interno bruto gasto em educação, a Colômbia possui menos de 8% dos seus adultos ainda analfabetos. Diante do cenário social que as estatísticas apontam, um governo voltado para o bem da população de Minas Gerais a longo prazo deveria ter uma óbvia prioridade: educação. Apenas a educação das futuras gerações pode evitar a perpetuação de um cenário em que um em cada 5 adultos é funcionalmente analfabeto. Ironicamente, este adulto poderá eleger seu representante político utilizando-se da mais moderna tecnologia eletrônica para votar em um candidato, provavelmente copiando números anotados em um folheto de propaganda. Apenas a educação pode evitar que famílias dependam e se contentem em sobreviver de subsídios e bolsas oferecidas pelos governantes a nível municipal, estadual e federal. A classe média brasileira parece ter desisitido de se preocupar com o problema da educação no país. Crises econômicas passageiras não diminuem na mais influente classe econômica da população o egoísmo do refúgio em soluções individuais para problemas que são de todos. Enquanto podem pagar por escolas particulares, é fácil ignorar o problema. Melhor dedicar seu tempo a outras atividades, como assistir uma partida de futebol. Melhor ainda se for possível comparecer ao estádio, o que atualmente é desconfortável, mas deverá melhorar após as prometidas reformas no Mineirão para a Copa de 2014. Seriam tais reformas realmente a melhor aplicação dos impostos pagos por todos os cidadãos do estado? Não teria o legado do Pan-Americano do Rio mostrado aos brasileiros que a contrução de estádios parece uma obsessão de governantes, a qual não pode ser separada do inegável lucro obtido pelos contratados para tais obras? (Generosos doadores das campanhas dos contratantes das mesmas obras!). Minas Gerais, e em especial Belo Horizonte, apresenta hoje um suspeito número de suntuosas obras que parecem destinadas a serem elefantes brancos, deixando enormes dívidas para as próximas gerações. Aos invés de se construir um gigantesco centro administrativo para abrigar dezenas de milhares de funcionários do governo do estado, não seria melhor auditar se todos estes funcionários são realmente necessários? Em diversas partes do mundo, governos esperaram até a beira do colapso financeiro para fazer auditorias que revelaram fatos como, por exemplo, gastos absurdos com contas telefônicas em repartições públicas. Eventualmente, algum governo no futuro não terá como continuar pagando generosos salários e pensões para tantos funcionários públicos, e vários terão de ser demitidos, ou possivelmente atuarem de maneira mais eficiente. Vários funcionários, como assistentes sociais, melhor serviriam ao público trabalhando de casa, ou em centros regionais de serviços. Resta aos 4 entre cada 5 eleitores adultos que podem ler informarem-se sobre os programas e, principalmente, históricos de atuação de seus representantes políticos. Procure ler informações em portais dedicados à transparência na administração pública, e avalie se os gastos aprovados ou gerenciados por seus representantes estão de acordo com suas prioridades. Cabe a você julgar se um estádio é mais importante do que mil escolas. http://www.BeloHorizonte.com |
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